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Às Claras · Senado 2027

31 dos 54 senadores eleitos em 2026 já foram deputados; dos 15 com histórico na Câmara, 12 votavam contra a orientação do governo e 3 a favor

O Senado de 2027 será, em boa parte, uma Câmara promovida. Os 12 ex-deputados de PL, Novo e Republicanos votaram com o governo em no máximo 12% das votações disputadas. PL e Novo somam 30 cadeiras, três a menos que o necessário para barrar sozinhos uma emenda à Constituição.

Por Dora Kessler · · Como apuramos

31 de 54 senadores eleitos em 2026 já foram deputados federais

Em 2026, o eleitor escolheu 54 dos 81 senadores. Mais da metade deles já passou pela Câmara: 31 dos 54 eleitos já foram deputados federais1. Outros 15 já eram senadores (14 eleitos diretamente e Carlos Portinho, do PL-RJ, que assumiu como suplente em 2020), nove já governaram um estado, e só cinco nunca tinham ocupado cargo eletivo. Para o Senado, o eleitor preferiu quem já conhecia. Os números se sobrepõem, porque muitos têm mais de um cargo no currículo.

31 de 54senadores eleitos já foram deputados federais
19dos 54 eleitos são do PL
30cadeiras de PL e Novo em 2027; para barrar uma PEC, são necessárias 33

Os que chegam direto da Câmara

Dos 31 ex-deputados, 19 estavam na Câmara no mandato de 2023 a 2026 (os outros 12 foram deputados em legislaturas anteriores). Quinze desses 19 votaram em pelo menos 100 votações disputadas do plenário, aquelas em que o lado perdedor teve 20% ou mais e o governo orientou o voto2. É possível ver como cada um votou antes de mudar de Casa.

Doze dos 15 ex-deputados votavam contra o governo em quase tudo

Senadores eleitos em 2026 que eram deputados em 2023–2026: % das votações disputadas em que votaram como o governo orientou

Luizianne (Rede-CE)Luizianne (Rede-CE): 97,1%97,1%Júlio César (PSD-PI)Júlio César (PSD-PI): 84,5%84,5%Alexandre Guimarães (MDB-TO)Alexandre Guimarães (MDB-TO): 60,8%60,8%Dr. Fernando Máximo (PL-RO)Dr. Fernando Máximo (PL-RO): 12,3%12,3%Domingos Sávio (PL-MG)Domingos Sávio (PL-MG): 9,2%9,2%Zé Medeiros (PL-MT)Zé Medeiros (PL-MT): 6,7%6,7%Marcel Van Hattem (Novo-RS)Marcel Van Hattem (Novo-RS): 6,3%6,3%Bia Kicis (PL-DF)Bia Kicis (PL-DF): 4,3%4,3%Carol de Toni (PL-SC)Carol de Toni (PL-SC): 3,8%3,8%Nicoletti (PL-RR)Nicoletti (PL-RR): 3,7%3,7%Carlos Jordy (PL-RJ)Carlos Jordy (PL-RJ): 3,4%3,4%Filipe Barros (PL-PR)Filipe Barros (PL-PR): 3,3%3,3%Evair de Melo (Republicanos-ES)Evair de Melo (Republicanos-ES): 3,0%3,0%Sanderson (PL-RS)Sanderson (PL-RS): 2,9%2,9%Gustavo Gayer (PL-GO)Gustavo Gayer (PL-GO): 2,2%2,2%metade
Fonte: Câmara dos Deputados, votações e orientações do plenário 2023–2026; TSE · Gráfico: Voto Aberto · Baixar os dados (CSV)
Ver os números em tabela
ItemValor
Luizianne (Rede-CE)97,1%
Júlio César (PSD-PI)84,5%
Alexandre Guimarães (MDB-TO)60,8%
Dr. Fernando Máximo (PL-RO)12,3%
Domingos Sávio (PL-MG)9,2%
Zé Medeiros (PL-MT)6,7%
Marcel Van Hattem (Novo-RS)6,3%
Bia Kicis (PL-DF)4,3%
Carol de Toni (PL-SC)3,8%
Nicoletti (PL-RR)3,7%
Carlos Jordy (PL-RJ)3,4%
Filipe Barros (PL-PR)3,3%
Evair de Melo (Republicanos-ES)3,0%
Sanderson (PL-RS)2,9%
Gustavo Gayer (PL-GO)2,2%

Os 12 de PL, Novo e Republicanos votaram com o governo em, no máximo, 12% das votações disputadas. Em quatro anos de Câmara, Gustavo Gayer (PL-GO) acompanhou a orientação do governo em 2,2% delas: 11 vezes em 508. Do outro lado, Luizianne (Rede-CE) votou com o governo em 97%.

Outros quatro senadores eleitos estavam na Câmara, mas não têm 100 votações disputadas no período, e por isso ficaram fora do gráfico: Arthur Lira (PP-AL), que presidiu a Câmara até 2025 e, como presidente, quase não votava; André Fufuca (PP-MA) e Guilherme Derrite (PP-SP), que passaram parte do mandato como ministro e secretário estadual; e Deltan Dallagnol (Novo-PR), que teve o mandato de deputado cassado em 20233. O registro da candidatura de Deltan ao Senado é contestado no TSE: uma decisão individual o negou, outra a suspendeu, e os votos valem até o julgamento do plenário, que foi adiado4. Se o registro cair, haverá nova eleição para a vaga.

A conta de 2027

O PL terá um terço do Senado

Senadores em 2027 por partido: eleitos em 2026 mais os que têm mandato até 2031

PLPL: 2727PTPT: 99MDBMDB: 88PPPP: 66RepublicanosRepublicanos: 55UniãoUnião: 55PSDPSD: 44PSBPSB: 44NovoNovo: 33Outros e indefinidosOutros e indefinidos: 1010
Fonte: TSE; Voto Aberto (composição calculada em 26/10/2026) · Gráfico: Voto Aberto · Baixar os dados (CSV)
Ver os números em tabela
ItemValor
PL27
PT9
MDB8
PP6
Republicanos5
União5
PSD4
PSB4
Novo3
Outros e indefinidos10

Uma emenda à Constituição precisa de 49 dos 81 votos no Senado, em dois turnos5. Para barrá-la, bastam 33. Somados, PL e Novo terão 30 cadeiras: perto, mas não o bastante para travar sozinhos uma PEC. Para lei comum, a maioria simples dos presentes resolve.

Três cadeiras ainda estão indefinidas: são de senadores com mandato até 2031 que foram eleitos governadores em 2026, Sergio Moro (PR), Cleitinho (MG) e Omar Aziz (AM), e serão ocupadas por suplentes. O partido dos suplentes pode mudar a conta em uma ou duas cadeiras.

Perguntas rápidas

Quantos senadores eleitos em 2026 já foram deputados federais?
31 dos 54. Outros 15 já eram senadores e nove, governadores; só cinco nunca tinham tido cargo eletivo. Os números se sobrepõem.
Qual partido elegeu mais senadores em 2026?
O PL, com 19 dos 54. Em 2027, o partido terá 27 dos 81 senadores.
Como votavam na Câmara os senadores eleitos que eram deputados?
Dos 15 com histórico de 2023 a 2026, 12 (do PL, do Novo e do Republicanos) votaram com a orientação do governo em no máximo 12% das votações disputadas. Três (Rede, PSD e MDB) votaram com o governo na maioria delas.
A oposição consegue barrar uma PEC no Senado em 2027?
Para barrar uma emenda constitucional são necessários 33 votos dos 81. PL e Novo somam 30 cadeiras.

Como apuramos

A trajetória de cada senador eleito vem dos registros de candidatura do TSE de 1998 a 2026: contamos os cargos para os quais foi eleito antes de 20261. O voto na Câmara vem dos arquivos de votações, votos e orientações do plenário de 2023 a 20262. "Votação disputada" é aquela com pelo menos 200 votos "sim" ou "não" em que o lado perdedor teve pelo menos 20%, e o voto do deputado é comparado à orientação do líder do governo. Ligamos senador e deputado pelo identificador da Câmara e, na falta dele, pelo nome civil. A composição de 2027 soma os eleitos em 2026 aos senadores com mandato até 2031, pelo partido atual. É o mesmo método do post sobre a base de Lula na Câmara.

Limites: (1) votar contra a orientação do governo não é o mesmo que votar contra todo projeto do governo. (2) No Senado, os partidos podem mudar até a posse, e três cadeiras dependem dos suplentes. (3) A trajetória considera eleição direta, com uma exceção: Carlos Portinho, eleito suplente em 2018 e senador no exercício do mandato desde 2020, conta como ex-senador.

Fontes

  1. TSE. Resultado oficial das eleições de 2026 (senador) e candidaturas 1998–2026 (dados abertos, consultado em 26/10/2026). 26/10/2026.
  2. Câmara dos Deputados. Dados abertos: votações, votos e orientações do plenário, arquivos de 2023 a 2026 (consultado em 26/10/2026). 26/10/2026.
  3. Congresso em Foco. Deltan Dallagnol é cassado e perde o mandato. Câmara acata ordem do TSE. 06/06/2023.
  4. Revista Oeste. TSE adia análise de candidatura de Deltan ao Senado. 08/10/2026.
  5. Planalto. Constituição Federal, art. 60, § 2º (emendas: três quintos dos votos, em dois turnos). 1988.

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