# Trump perdeu o voto popular por 2,87 milhões e ganhou em 2016; num colégio eleitoral hipotético, à moda americana, a votação de 2026 daria Lula 276 × Flávio 318

> Em 2016, Trump teve 2,87 milhões de votos a menos que Hillary Clinton e venceu graças a 77.744 votos em três estados. O Brasil elege o presidente pelo voto direto. Se usasse um colégio eleitoral por estado, como os EUA, Lula, que venceu por 4,43 milhões, teria perdido. Comparamos as duas viradas.

- Publicação: Voto Aberto, blog Às Claras — https://votoaberto.pages.dev/blog/virada-trump-2016-lula-2026-colegio-eleitoral/
- Publicado: 2026-10-27T21:17:00-03:00 · Atualizado: 2026-10-27T21:17:00-03:00
- Licença: CC BY 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/). Cite como: Voto Aberto. "Trump perdeu o voto popular por 2,87 milhões e ganhou em 2016; num colégio eleitoral hipotético, à moda americana, a votação de 2026 daria Lula 276 × Flávio 318". Às Claras, 27 de outubro de 2026. https://votoaberto.pages.dev/blog/virada-trump-2016-lula-2026-colegio-eleitoral/
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Você sabia que o candidato mais votado pode perder a eleição? Nos Estados Unidos, isso aconteceu em 2016. **Donald Trump teve 62.984.828 votos, e Hillary Clinton, 65.853.514**: 2,87 milhões a mais para ela. Mesmo assim, Trump venceu no Colégio Eleitoral, por **304 a 227**[1][2].

- **2,87 mi** votos a mais teve Hillary Clinton em 2016, e mesmo assim perdeu
- **77.744** votos em três estados (Michigan, Wisconsin e Pensilvânia) decidiram a eleição americana
- **276 × 318** seria o placar Lula × Flávio num colégio eleitoral hipotético no Brasil de 2026

## Como Trump virou

Nos EUA, quem vence num estado leva todos os delegados dele, com poucas exceções. Em 2016, Trump virou seis estados que Barack Obama tinha vencido em 2012, além de um distrito do Maine: Flórida, Iowa, Michigan, Ohio, Pensilvânia e Wisconsin[1][3]. Em três deles, a margem foi de menos de 1 ponto percentual:

| Estado | Trump | Clinton | Margem de Trump |
|---|---|---|---|
| Michigan | 2.279.543 | 2.268.839 | 10.704 |
| Wisconsin | 1.405.284 | 1.382.536 | 22.748 |
| Pensilvânia | 2.970.733 | 2.926.441 | 44.292 |
| Total |  |  | 77.744 |

Esses três estados valiam 46 votos no colégio. Sem eles, Trump teria ficado com 258, abaixo dos 270 necessários[1].

## E se o Brasil tivesse colégio eleitoral?

O Brasil elege o presidente pelo voto direto: ganha quem tem mais votos válidos no país. Em 2026, Lula venceu por **4.430.191 votos**[4].

Imagine agora um colégio à moda americana: cada estado com tantos delegados quantos deputados federais elege, mais 3 pelos senadores, e quem vence no estado leva todos. Lula venceu em 13 estados, e Flávio em 14, contando o DF. Os de Flávio incluem São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul, que têm mais cadeiras na Câmara. A conta daria **276 delegados para Lula e 318 para Flávio**, com 298 necessários para vencer[4].

**Num colégio eleitoral hipotético, o resultado de 2026 se inverteria** — Votos no colégio eleitoral hipotético (deputados federais + 3 por estado, quem vence leva todos)

| Item | Valor |
|---|---|
| Lula (13) | 276 |
| Flávio (22) | 318 |

Fonte: Cálculo do Voto Aberto com dados do TSE (2º turno de 2026). Dados: https://votoaberto.pages.dev/blog/virada-trump-2016-lula-2026-colegio-eleitoral/dados-1.csv

É uma conta hipotética. Com outra regra, as campanhas seriam outras, e o eleitor poderia votar diferente. Mas ela mostra que a regra também decide: com a mesma votação, o vencedor muda.

## As pesquisas erraram nas duas?

Em 2016, as pesquisas nacionais americanas acertaram bem. Erraram em média 2,2 pontos na margem, entre as mais precisas desde 1936. O problema foi nos estados: erro médio de 5,1 pontos, e o vencedor errado em Michigan, Wisconsin e Pensilvânia. O relatório da associação americana de pesquisadores (AAPOR) apontou duas causas principais. Uma foi a decisão de última hora: cerca de 13% dos eleitores de Wisconsin, Flórida e Pensilvânia decidiram na última semana e foram para Trump por quase 30 pontos em Wisconsin e 17 na Flórida e na Pensilvânia. A outra foi o fato de muitas pesquisas estaduais não ajustarem pela escolaridade: em Michigan, só 18% das pesquisas finais faziam esse ajuste[5].

No Brasil de 2026, as pesquisas da véspera subestimaram Lula em 1,9 a 3,8 pontos, segundo a [análise do 2º turno](https://votoaberto.pages.dev/analise/) do Voto Aberto. Um estudo sobre o 1º turno de 2022 mostrou que realocar indecisos e eleitores da terceira via, numa pesquisa Quaest da véspera, pode reduzir o erro pela metade (Batista Pereira e Nunes, *Opinião Pública*, 2024). No 2º turno, sem terceira via, esse mecanismo pesa menos. Um dos autores, Felipe Nunes, é fundador da Quaest[6].

## Campo e cidade

Nos EUA de 2016, Trump teve 59% dos votos rurais e 24% dos urbanos, segundo o Pew, com eleitores validados[7]. No Brasil de 2026, o desenho foi outro. Flávio foi melhor nas cidades médias, de 50 mil a 1 milhão de eleitores, e Lula subiu nas cidades grandes em relação a 2022 (veja [cidades grandes e pequenas](https://votoaberto.pages.dev/blog/lula-flavio-cidades-grandes-pequenas-2026-tamanho/))[4].

**Trump perdeu no voto popular em 2016?**
Sim. Hillary Clinton teve 65.853.514 votos, e Trump, 62.984.828, segundo a Comissão Eleitoral Federal (FEC). Trump venceu no Colégio Eleitoral, por 304 a 227.

**Quantos votos decidiram a eleição de 2016 nos EUA?**
77.744 votos de margem somados em Michigan (10.704), Wisconsin (22.748) e Pensilvânia (44.292). Esses estados valiam 46 votos no colégio.

**O Brasil tem colégio eleitoral?**
Não. O presidente é eleito pelo voto direto, por maioria absoluta dos votos válidos. Numa conta hipotética, com um colégio por estado à moda americana, o resultado de 2026 teria sido Lula 276 × Flávio 318.

**As pesquisas erraram em 2016 nos EUA?**
As nacionais, pouco (2,2 pontos de erro médio na margem). As estaduais, mais (5,1 pontos), e apontaram o vencedor errado em Michigan, Wisconsin e Pensilvânia, segundo a AAPOR.

## Como apuramos

- **EUA:** os números de 2016 vêm do relatório oficial da FEC ("Federal Elections 2016"), dos Arquivos Nacionais (Colégio Eleitoral) e da FEC de 2012 para as viradas[1][2][3]. O erro das pesquisas vem do relatório da AAPOR[5], e o voto rural e urbano, do Pew Research Center[7].
- **Colégio hipotético do Brasil:** usamos o vencedor do 2º turno de 2026 em cada UF e demos a cada estado o número de deputados federais mais 3, os senadores, num total de 594. A maioria é 298. O DF conta como estado.

Limites: a conta do colégio é hipotética e ignora que as campanhas mudariam com outra regra. Os EUA somam 2 delegados por estado, um por senador; com 2 em vez de 3, seriam Lula 263 × Flávio 304, com maioria de 284, e o resultado se manteria. O colégio hipotético deixa de fora o voto do exterior, que está nos 4,43 milhões.

## Fontes

1. FEC. Federal Elections 2016: Election Results for the U.S. President, the U.S. Senate and the U.S. House of Representatives. 12/2017. https://www.fec.gov/resources/cms-content/documents/federalelections2016.pdf
2. National Archives. 2016 Electoral College Results. 2017. https://www.archives.gov/electoral-college/2016
3. FEC. Federal Elections 2012. 2013. https://www.fec.gov/resources/cms-content/documents/federalelections2012.pdf
4. TSE. Resultado oficial do 2º turno de 2026, por estado; número de deputados federais por estado. 25/10/2026. https://resultados.tse.jus.br/oficial/app/index.html
5. AAPOR. An Evaluation of 2016 Election Polls in the U.S. (Kennedy et al.). 2017. https://aapor.org/wp-content/uploads/2022/11/AAPOR-2016-Election-Polling-Report.pdf
6. Opinião Pública. Batista Pereira, F.; Nunes, F. Pesquisas eleitorais e mudanças tardias na decisão do voto. v. 30, e3011. DOI 10.1590/1807-019120243011. 2024. https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=32977806001
7. Pew Research Center. Behind Biden's 2020 Victory (eleitores validados, 2016 e 2020). 30/06/2021. https://www.pewresearch.org/politics/2021/06/30/behind-bidens-2020-victory/

